Conseguimos chegar ao topo da organização criminosa na primeira fase da operação, graças ao rastreamento realizado pelo Reactor, algo que não teríamos conseguido com esses membros utilizando os métodos tradicionais de quebra do sigilo bancário.”
Quando cibercriminosos roubaram fundos de uma prefeitura em Santa Catarina, no Brasil, o investigador-chefe Eduardo Graebin se deparou com uma investigação diferente de tudo o que já havia enfrentado antes. Os fundos roubados haviam sido convertidos em criptomoedas e movimentados por meio de transações complexas em blockchain, criadas para ocultar a identidade dos autores do crime.
Durante semanas, os investigadores tentaram rastrear manualmente os movimentos das criptomoedas, mas a complexidade técnica e a natureza global das transações em blockchain os deixaram em um impasse. Os métodos tradicionais de investigação e os protocolos bancários se mostraram insuficientes para rastrear ativos digitais em várias blockchains e bolsas internacionais.
A investigação sofreu uma reviravolta dramática quando a Chainalysis apresentou à Polícia Civil de Santa Catarina uma demonstração da funcionalidade de sua plataforma de inteligência de blockchain, o Reactor. Apesar de não terem nenhum conhecimento prévio sobre blockchain, os investigadores consideraram a ferramenta extremamente intuitiva.
Quando os policiais encontraram frases-semente escritas em um papel, utilizaram o Wallet Scan para recuperar instantaneamente as carteiras e analisar dezenas de blockchains em busca de quaisquer movimentações de fundos.
Com o Reactor, a equipe de investigação rastreou a criptomoeda roubada desde as carteiras iniciais até 16 exchanges diferentes em todo o mundo. A capacidade da plataforma de contornar as técnicas de ofuscação dos criminosos revelou-se crucial – os investigadores conseguiram identificar os verdadeiros destinatários dos fundos roubados, e não apenas os laranjas usados para ocultar suas identidades.
Durante a Operação BitTrack, a equipe também utilizou a ferramenta Wallet Scan da Chainalysis durante a execução de mandados de busca e apreensão. Isso resultou na primeira apreensão e transferência de criptomoedas já realizada em Santa Catarina durante a execução de um mandado de busca e apreensão, recuperando-se aproximadamente US$ 2.000 em Bitcoin para uma carteira institucional da Polícia Civil.
Os resultados também confirmaram a precisão do Reactor: quatro dos suspeitos rastreados já tinham condenações criminais em diferentes estados brasileiros por invasão de dispositivos informáticos, invasão de contas, participação em organização criminosa e lavagem de dinheiro.